O HERÓI AZUL


Janine Milward


Da simplicidade e do lirismo da vida cotidiana na roça
ao mergulho nos mistérios da alma e do espírito...
- assim é a vida do Herói Azul e sua mãe,
no Sítio das Estrelas
parada de um caminho a Caminho do Céu

Editora Estrela do Belém
© 2008
...................

O Herói Azul

Índice

Sumário - Síntese dos Capítulos

Prólogo - Dois Dedos de Prosa sobre o Sítio das Estrelas

Capítulo 1 - A Iniciação Espiritual na Meditação

Capítulo 2 - Sementes que Nascem de Novo e “Sementes Queimadas”

Capítulo 3 - Os Segredos do Céu e da Terra

Capítulo 4 - “O Retorno é o Movimento do Caminho”

Capítulo 5 - Viajantes das Estrelas

Capítulo 6 - O Tempo e o Espaço

Capítulo 7 - O Retorno à Fonte Original

Capítulo 8 - A Meta da nossa Vida é alcançar a Suprema Consciência

Capítulo 9 - Está Escrito nas Estrelas

Capítulo 10 - Estação Terra: “Parada de Um Caminho a Caminho do Céu”

Capítulo 11 - Eu Sou: Eu Farei... Eu Faço... Eu Fiz...

Capítulo 12 - “A força que guia as estrelas, guia você também”

Capítulo 13 - O Caminho da Bem-Aventurança

Capítulo 14 - Da Luz ao Vazio e ao Retorno da Luz: A Meditação

Epílogo - Dois Dedos de Prosa sobre o Herói Azul

Apêndice - Vivendo no Sítio das Estrelas

Bibliografia e Créditos

Glossário

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

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Janine Milward



Namaskar!
Eu Saúdo você com minha mente e com meu coração!

Capítulo 7 - O Retorno à Fonte Original



O Herói Azul
© 2008


Janine Milward


Capítulo 7


O Retorno à Fonte Original



Ah, esta última noite foi mesmo trabalhosa! Pelo menos dez vacas da fazenda vizinha sentiram-se demasiadamente atraídas pelo capim ainda fresco – uma raridade nesta época do ano, tempo de estiagem, tempo de seca do inverno – e resolveram, naturalmente, arrombar a cerca e adentrarem o Sítio das Estrelas!

O Herói Azul e sua mãe estavam fora, no encontro de meditação e Yoga, felizes com o retorno do monge que viajara para a Índia e que parecia que nunca mais voltava..... E quando voltaram os três para casa, felizes e contentes, esfaimados, ansiando por um jantar quentinho.... qual não foi sua surpresa quando depararam com várias vacas se deliciando com a horta maravilhosa, com o milharal ainda tenro, com o canteiro de zínias tímidas!

Os cachorros estavam alvoroçados, fazendo uma enorme arruaça para espantar as vacas e até que foram bem-sucedidos nessa empreitada.... Mesmo assim, o capataz da fazenda vizinha teve que ser chamado, teve que ser acordado, para tocar a vacada de volta para seu curral! Ufa! Que noite!

...................

Finalmente, o jantar ficou pronto, um tanto improvisado devido aos contratempos momentâneos, porém, como sempre, gostoso e reconfortante!

O monge sempre gosta de vir aqui e dormir em seu Ashram no Sítio das Estrelas! Também, pudera, com uma vista dessas, com um silêncio desses, todos adoram!
........................

Depois do jantar, já tarde da noite, o Herói Azul ainda resistia em ir para cama, ele queria muito conversar um pouquinho mais com o monge, queria aprender mais sobre as sementes que nascem de novo e sobre as sementes que não nascem de novo – sobre a mortalidade e sobre a imortalidade.

- Dada, diga-me alguma coisa sobre a “semente queimada”.

O monge sorriu, feliz por ver que o rapazinho andava, já tão precocemente, tentando compreender melhor o mundo da espiritualidade.

- “A semente queimada”, Daghdhabiija, é quando a pessoa consegue atingir um estágio em sua vida onde, para ela, não existem mais Samskaras – nem passados, nem presentes e nem futuros... ”As sementes queimadas” são todos os Samskaras exauridos - ou seja, a ação, Karma, e sua reação real ou em potencial, Samskara, deixam de existir – porque o aspirante espiritual alcançou a Liberação da Mente, a plenitude de sua consciência, enfim podendo se fusionar inteiramente com Paramapurusa, a Suprema Consciência.

- Mas, como se consegue chegar aí, como alcançar este estágio de espiritualidade?

O monge olhou para o Herói Azul atentamente em seus olhos, com seriedade, com serenidade, com emoção.

- A meta de nossa vida é alcançar Paramapurusa, a Suprema Consciência e sermos Unos com essa Consciência Cósmica, com o Absoluto. Antes de mais nada, é preciso que reconheçamos esta meta como a única e verdadeira verdade a ser seguida em nossas vidas... Todo o resto, todo o nosso cotidiano, tudo deve ser vivenciado e dirigido no sentido de nos conscientizamos inicialmente dessa meta....
A meditação, certamente, é o grande primeiro passo desse longo Caminho. É por isso que a Primeira Lição de Meditação, a Iniciação Espiritual, é tão importante porque ela já nos mostra o Caminho. O Caminho se faz ao caminhar.... Todo o tempo o Guru, o Acarya, os auxiliares espirituais estarão nos ajudando, nos apontando nosso Caminho, não nos deixando desviar de nossa meta fundamental de vida.... Mas o verdadeiro caminhar, a realização do Caminho, somente o aspirante espiritual pode fazê-lo por si mesmo, através de seu esforço, de seu Conhecimento, Jinana, de sua Ação, Karma, e de sua Devoção, Bhakti.

A mãe do Herói Azul, que ouvia a conversa ao mesmo tempo que retirava os pratos vazios da mesa e os levava para a pia da cozinha, entrou na conversa:

- Você se lembra, meu filho, que eu gravei uma das palestras do Retiro Espiritual em que estivemos recentemente na fazenda-mosteiro do monge? Bem, certamente me parece que o texto – que acabei de transcrever - vem bem a calhar porque trata exatamente desse assunto: A Liberação, Mukti.

- Posso ver o texto agora? - o Herói Azul arriscou.

- Bem, já é tarde, você não acha? O dia hoje foi longo e a noite também! Amanhã cedo tenho que ir ver o estrago que as vacas fizeram na horta, no jardim, na cerca....e também amanhã cedo você tem escola!

- Está bem, está bem....mas, Dada, me diga somente mais uma coisa: liberar-se dos Karmas e Samskaras, alcançar a Liberação, tornar-se uma verdadeira “semente queimada” – aquela que não mais nasce - e se fusionar com a Consciência Cósmica – tudo isso – significa imortalidade?

- Sim.

- Mas... e todo o resto, e todo o mundo, todas os outros seres que restam....o que será deles, quero dizer, não seria algo um tanto egoísta se atingir a imortalidade, se fusionar com Paramapurusa, se tornar a própria Consciência Cósmica e abandonar todos os outros seres à sua própria sorte, sua própria busca, seu próprio Caminho?

O monge estava visivelmente emocionado com o encaminhamento do pensamento do Herói Azul.

- Talvez alcançar a imortalidade – e abrir mão dela – e continuar como semente que sempre pode nascer novamente....para dessa maneira ajudar a todos os outros seres alcançarem também a Liberação – até o último ser – talvez seja essa a Coroação do Caminho, não é verdade? Chegar até Paramapuruha e voltar para dizer, se isso fosse possível, mas voltar para ajudar todos os outros seres encontrarem também Paramapurusa - esta é a meta que está além da meta original!
Retornar à Fonte Original e alcançar a imortalidade.... e voltar a assumir a mortalidade, re-assumir o Espaço dentro do Tempo – este sim, este é o verdadeiro Mestre – aquele que já é Semente Queimada, porém que retorna da Fonte Original que tão bem conheceu para se tornar novamente Semente que nasce de novo.... Nosso Guru, nosso Mestre, Baba, sempre dizia que é realmente muito difícil retornar à Roda do Samsara depois que nos fusionamos com Paramapurusa.... É como o inseto que se sente totalmente atraído pela luz e que fica voando em torno dela sem conseguir se afastar..... é um embevecimento, um maravilhamento....

Por alguns segundos pairou um silêncio profundo entre o monge, o Herói Azul e sua mãe. O monge levantou-se, fazendo como quem já quer ir dormir, para acordar bem cedo no dia seguinte e seguir seu caminho. O Herói Azul parecia ainda não ter sono....

- Você então diria que esse mestre poderá exercer uma escolha? E que esta escolha também poderá significar que ao invés de retornar a este universo – quem sabe ele poderá tornar-se a Semente-que-nasce-de-novo que dá início a um novo universo?

- Você quer dizer, ainda abraçar a imortalidade através de uma nova condição de Tempo e Espaço?

- Sim, é bem isso.

- Bem, é possível que isso possa acontecer sim. Paramapurusa está, na verdade, além do Mundo da Manifestação, ele é o próprio Mundo da Não-Manifestação, a imortalidade da imortalidade, a eternidade da eternidade, a infinitude da infinitude.... o Mundo sobre o qual não se fala – porque não se tem como falar sobre. A verdade é que quanto mais esticamos a imortalidade, a eternidade, mesmo assim, apenas encontraremos algo em que em algum ponto – espaço - ou em que em algum momento – tempo -, esbarra em algum tipo de finitude, de final. Mesmo que esse final sempre leve a um novo começo....
Somente Paramapurusa, Nirguna Brahma, pertence à verdadeira eternidade, o Mundo da Não-Manifestação, a Consciência Cósmica não-manifesta. Todo o resto é Saguna Brahma, aquilo que existe, o Mundo da Manifestação, a Consciência Cósmica manifesta.
O que importa é compreendermos que Paramapurusa é o núcleo primordial, a fonte original. Quanto mais a compreensão científica do universo avança, tanto mais Paramapurusa conserva sua primordial qualidade, a de ser a totalidade, a de conter a totalidade dentro de si.
Tudo no universo é externo à Paramapurusa. Somente Paramapurusa possui interiorização apenas. Mesmo que o Big Bang seja advindo de um núcleo, de uma semente plena de vida, de tempo e de espaço, sua total interiorização já é uma manifestação proveniente do Mundo da Manifestação de Paramapurusa, de Saguna Brahma, da Consciência Cósmica manifesta.
Tudo no universo - ou multiverso, como queiram - está contido dentro de Paramapurusa.
Assim, estando contido dentro de Paramapurusa, tudo no universo, tudo, é apenas exteriorização.
Então é por isso que a meditação é tão importante, ela nos leva a nos interiorizar, nos aprofundar em nós mesmos e nos tornar Unos com a grandiosidade dessa interiorização – nos tornar unos com Paramarurusa.

A mãe do Herói Azul havia desaparecido por alguns instantes e voltou com um pequeno livro em suas mãos:

- Sobre tudo isto que falamos até agora, Lao Tsé nos diz:

O retorno é o movimento do Tao
A suavidade é a atuação do Tao
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não existência (1)

- Você bem sabe que o Tao surgiu a partir do Tantra. O Tantra é a raiz de tudo. Tantra em sânscrito quer dizer “Aquilo que libera da escuridão, da ignorância” – o conhecimento aliado à ação e à devoção.. O Tantra surgiu há cerca de 7 mil anos atrás e a partir dele foram se formando religiões e filosofias. No entanto o Tantra é uma prática e não simplesmente uma teoria: vivenciar o mundo como expressão da infinitude da Suprema Consciência. - o monge nunca se cansa de repetir isso.

- E a não-existência? Não seria ela interior, incontaminada – digamos assim? - o Herói Azul continuava aceso e sua mãe, complacentemente, ainda o incentivava:

- Ainda não totalmente – pois que ela já está sendo nomeada, falada sobre. Até a não-existência não escapa de ser exterior, ainda pertence ao Mundo da Manifestação – porque ainda nos suscita uma expressão, uma denominação. .
A não-existência é exterior ao que ela provém. Daquilo que a não-existência provém, faz parte do reino da absoluta interiorização. E sobre isso, não se fala sobre, não se tem linguagem para. É o Mundo da Não-Manifestação.
Mais uma vez retomo Lao Tsé:
“O caminho que pode ser expresso
não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado
Não é o Nome constante” (2)

O caminho e o nome (com letra minúscula) pertencem ao Mundo da Manifestação e portanto, podem ser expressos e enunciados. O Caminho e o Nome (com letra maiúscula) são o Tao e são constantes, ou seja, são eternos, fazem parte do Mundo da Não-Manifestação.

O Herói Azul aproveitava todas as brechas da conversa:

- Sendo assim, Paramapurusa, Tao, seriam a denominação mínima e máximamente possível para a absoluta interiorização sem qualquer possibilidade de exteriorização.

- Interiorização absoluta, sim, isso é correto. Porém, certamente com absoluta exteriorização que seria o princípio da não-existência que faz surgir a existência.
É a criação. A criação nos remete a seu criador... que por sua vez seria anterior à própria criação...No Tantra, Saguna Brahma nos revela Paramapurusa do Mundo da Manifestação que provém de Nirguna Brahma que nos revela Paramapurusa do Mundo da Não- Manifestação. - O monge também não mais parecia querer retirar-se para seu Ashram, ele sempre adora uma boa conversa!

A mãe do Herói Azul continuou:

- A idéia de uma mente suprema, de uma consciência cósmica, me parece demasiadamente humana, pouco abstrata ..... ainda pertencente ao campo da existência.
O Tao, talvez o Tao nos revele algo mais abstrato, menos humanizado.... e certamente mais universalizado e impersonalizado.

- Uma vez mais lembro a você que o Tao nasceu do Tantra. – retrucou o monge, pacientemente. Ao que a mãe do Herói Azul emendou:

- A verdade é que todo o tempo a ciência caminha mais profundamente no tempo e no espaço para procurar as respostas para suas questões. Eu venho lendo várias artigos onde os cosmólogos dizem, e dizem bem, que o universo – ou multiverso – é como a Liila, O Jogo Cósmico. Se tentarmos compreender a Liila através de nossa exteriorização, do Mundo da Manifestação, então poderemos pensar que se existe um Criador, uma Consciência Cósmica .... certamente nem mesmo esse criador saberia aonde alguns dados desse grande jogo se esconderam....

O monge sorriu:

- Se, no entanto, tentarmos compreender a Liila através da nossa interiorização absoluta, mergulhando no Mundo da Não-Manifestação - então poderemos finalmente nos calar... e compreender.

A mãe do Herói Azul continuava folheando seu livrinho do Tao Te Ching:

- Lao Tsé diz:
“O que é da compreensão, não é a palavra
O que é da palavra, não é a compreensão”.(3)

O que se sabe, fala-se somente através da existência , mesmo que baseando-se na não- existência.
E o que não se fala, sabe-se também através da existência, mesmo que baseando-se na não existência.....

O monge concordou:

- O Conhecimento, Jinana, é a base do triângulo cujas vértices são Karma, a Ação e Bhakti, a Devoção. Este triângulo cujas vértices apontam para o céu, é a estrutura fundamental para alcançarmos a Liberação, Mukti.

O Herói Azul parecia querer ainda uma última resposta antes de ir dormir:

- E o que se faz para se encontrar o Conhecimento, Jinana, .... para não saber.... e no entanto, saber?
Srii Srii Anandamurti, nosso Baba, nosso querido Guru, nos diz:

“A Consciência Suprema se encontra dentro de você assim como a manteiga está no leite; bata a sua mente através da meditação e Ela aparecerá – você verá que a resplandecência da Consciência Suprema ilumina todo o seu Ser interior. Ela é como um rio subterrâneo dentro de você. Remova as areias da mente e você encontrará a água fresca e límpida no interior.”(*)

Enquanto falavam, o Herói Azul e sua mãe iam andando em direção ao Ashram do monge, ajudando-o com sua pequena bagagem e seus cobertores para protegê-lo da madrugada gelada, quando a neblina desce e envolve todo o vale verde da Estrada do Belém....
- Bem, acredito que já seja hora de todos irmos nos entregar à nossa absoluta interiorização de uma boa – porém curta – noite de sono.... Namaskar, Dada, boa noite, tenha bons sonhos....

- Namaskar!

O Herói Azul
© 2008 Janine Milward
Capítulo 7
O Retorno à Fonte Original

Capítulo 6 - O Tempo e o Espaço


O Herói Azul

© Janine Milward


Capítulo 6


O Tempo e o Espaço


“Sinto algo me chamando lá de fora, nesta época do ano... é que as mangueiras estão em flor e seu perfume doce, quente, muito quente, espalhando-se no ar chega até a mim, me chamando lá de fora, me fazendo aproximar, cheirar, tocar, até ficar tonto de felicidade.”

“Desde ontem à tarde que também me chama o perfume das flores das jabuticabeiras... as abelhas estão em festa, zoando o tempo todo por entre os finos galhos dessas árvores tão generosas, coalhadas de pequenas flores esbranquiçadas, coladas, unidas aos troncos esgueirados, contorcidos, delicados.”

“Ora, vejam só! Minha mãe já colocou a mangueira d’água escorrendo todo o tempo juntos às raízes das pitangueiras! Também as pitangueiras estão se preparando para abrir em flores, sorrindo com suas flores brancas e suaves, prenunciado a vinda de seus frutinhos vermelhinhos e saborosos!”

“As flores rosadas dos pessegueiros já apareceram! Quantas novas flores! Quantos frutos a virem em breve!”

“Mango chutney, geléia de jabuticaba, geléia de pitanga, doce de pêssego... hummmm, gosto tanto quando minha mãe faz torta de pitanga! E o bôlo de nozes e ameixas com glacê branco enfeitado com flores de pessegueiro! Hummmm....”

E assim, ia o Herói Azul passeando por entre as árvores do Sítio, vagueando e vagando, caminhando e deixando o pensamento voar solto, alegre e fagueiro!.....................................................................................


- ‘Olá, dona abelha, voando direto para as jabuticabeiras encontrar suas companheiras?”

- “Sim, sim, Herói Azul, estou com verdadeira pressa, não quero perder aquele mel gostoso, não quero perder a dança zoante, não quero perder nenhum momento dessa festa!” – a abelhinha parecia mesmo muito apressada, não queria mesmo conversa com ninguém.

- “Você sentiu de longe o perfume das flores, não foi?”

- “É claro, você não sentiu? “

- “Sim, mas me diga uma coisa, dona abelha, o perfume é fácil de sentir... mas quando se trata apenas da frutinha... assim como quando as jabuticabas já estão maduras e aparecem as centenas de maritacas vindo bicá-las e chupá-las... assim como os tucaninhos surgem do nada.... como é que tudo isso acontece no mundo de vocês, no mundo dos bichos?” – o Herói Azul parecia não ter pressa e tentava puxar conversa com dona abelha.

Porém dona abelha não estava mesmo interessada no assunto, qualquer que fosse, a não ser em ir voando zunindo, zoando, direto para as árvores gêmeas de jabuticaba! E lá se foi ela, deixando o Herói Azul sem nenhuma resposta.

- “Não pude deixar de ouvir sua pergunta, Herói Azul!”

O Herói Azul não tinha visto dona formiga que andava junto com suas companheiras, em fila indiana, carregando folhinhas tenras das roseiras do canteiro favorito de sua mãe, o canteiro das rosas!

- “Minha mãe não vai gostar disso, dona formiga, ela já lhe disse que não é mesmo para ficar cortando as folhinhas das roseiras... pobres roseiras, assim elas ficam fracas e não dão rosas!”

- “Bem, também eu gosto de ver as rosas iluminadas pelo sol em suas cores lindas, em suas pétalas delicadas... não, rosa, rosa, eu não como, gosto mesmo é das folhinhas tenras, verdinhas, saborosas, maravilhosas... que fazer? Temos que comer, temos que nos alimentar! Você não ficou zangado com a abelha que retira o mel das flores novinhas das jabuticabeiras... por que então implicar logo comigo, conosco, formiguinhas? - dona formiga não deixava de seguir seu caminho, sua trilha, enquanto ia falando e resmungando.

- “É verdade, você tem razão, também nós, humanos, temos que comer, temos que nos alimentar e certamente adoro ir até a horta colher cenouras, beterrabas, alface, agrião, couve, salsinha e cebolinha, espinafre, almeirão...."

- “Viu? Por acaso você perguntou aos legumes e hortaliças se eles querem ser comidos, perguntou?”

- “Bem, perguntar não perguntei, mas...” - o Herói Azul hesitou por um momento.

- “Mas o quê? Também eu não pergunto se a roseira quer ou não que eu retire suas folhinhas, apenas as corto, sem dó nem piedade!”

A formiga seguiu seu caminho, já cansada daquela conversa para boi dormir... mas o Herói Azul lembrou-se que ela, logo no início, tinha dito que não pudera deixar de ouvir sua pergunta feita á dona abelha. Correu até dona formiga que já ia longe e perguntou muito diretamente:

- “O que você sabe sobre a natureza?”

- “Eu nada sei sobre a natureza, Herói Azul, eu sou a natureza, simplesmente isso. A capacidade de saber – ou de pensar que sabe – essa é dos homens. Os bichos sabem apenas; não pensam que sabem – porque não exatamente pensam, assim como os humanos o fazem... no entanto, os bichos sabem. Esse saber está além do intelecto, do pensamento analisado e compreendido – como os homens fazem. Os bichos não têm intelecto mas sabem... e seu pensar surge desse saber natural.

A formiga retomou seu caminho e seu trabalho, carregando sua folhinha para seu formigueiro.

- “Você então quer dizer que os bichos sabem porém esse saber vem junto com sua vivência dentro da natureza... enquanto os homens sabem porém esse saber vem junto com sua vivência junto ao intelecto, aos livros, aos ensinamentos...” – o Herói Azul queria entender melhor sobre a natureza dos homens e dos bichos e de tudo.

- “Mais ou menos isso, sim. Houve um tempo, há muitíssimo tempo atrás - quando o homem ainda apenas engatinhava em seu desenvolvimento no planeta Terra - em que o homem e natureza comungavam muito intimamente, bem mais intimamente... O homem não se importava de deixar a natureza ir lhe ensinado seus caminhos, suas verdades, suas realidades. Ao contrário, o homem bendizia a natureza por tudo o que ela lhe proporcionava, lhe trazia, lhe abençoava... O tempo foi passando, passando e o homem foi ficando aparentemente mais forte, mais sábio, desenvolvendo mais seu saber em relação àquela natureza que o havia acolhido em seu colo e o nutrido tão intensamente. Desde há algum tempo o homem parece não mais prestar atenção à natureza... Para ele – homem – a natureza á algo todo o tempo a ser dominado, domado, re-criado. Então o homem perdeu o sentido da proteção à natureza , que é sua mestra, e tornou-se seu algoz, devastando-a, destruindo-a, em nome do desenvolvimento de sua mente, de seu intelecto!

O homem parece querer disputar tempo e espaço com a natureza... Será que conseguirá, será que poderá ser bem-sucedido nesta luta enfêrma, neste embate sem sentido?”

O homem se orienta pela terra
a terra se orienta pelo céu
o céu se orienta pelo Tao
o Tao se orienta por sua própria natureza (1)


A formiga tinha parado de carregar sua folha nas costas, tinha-a encostado num galho seco caído de alguma tangerineira adormecida. Estavam tão entretidos, formiga e Herói Azul em sua conversa, que nem notaram a aproximação de outros pequenos bichos e insetos do lugar: chegaram seu grilo, seu sapo, dona rã, dona lagarta, seu mosquito, dona borboleta, dois passarinhos e certamente alguns dos cachorros e gatos do Sítio! Também as tangerineiras acordaram e as laranjeiras se espreguiçaram. O mulungú, que estava se preparando para deixar suas folhas caírem e suas flores vermelhas se abrirem, parecia ouvir tudo com muita atenção!

Até a mãe do Herói Azul se aproximou para saber que reunião era aquela no meio da tarde preguiçosa e ensolarada de começo de agosto!

- Meu filho, e suas lições de casa, já estão todas feitas? Já estudou tudinho? – enquanto falava, a mãe do Herói Azul lhe estendeu um copo de suco de cajá-manga, as últimas frutas da temporada colhidas já caídas sobre o gramado e preparadas com carinho.

- Ainda falta o dever de ciências mas logo, logo, vou terminá-lo. – o Herói Azul não parecia muito animado em voltar para dentro de casa... aliás, ali fora, junto aos bichinhos e ás árvores, sua lição estava sendo bem mais proveitosa!

- Diga-me o que se trata o seu dever de ciências. – a mãe parecia insistir.

- Você se lembra da aula que deu semana passada na escola da Dalva sobre a criação do universo, não se lembra?

- Claro que sim, como poderia me esquecer? – a mãe sorriu com a lembrança daquela aula tão animada e profícua!

- Bem, também você se lembra que pediu prá gente escrever alguma coisa sobre o Tempo e o Espaço... e que sua próxima aula será amanhã... – o Herói Azul fez cara de menino arteiro, adolescente arteiro.

- E toda essa reunião acontecendo aqui no pomar do Sitio, trata-se então de conversas sobre o Tempo e o Espaço?

Nesse meio tempo, a formiga já tinha andado em carreirinha para a mãe do Herói Azul não flagrá-la carregando folhinha de roseira nas costas! O grilo também pulou para longe das rosas que ele tinha começado a se deliciar com suas pétalas macias... A lagarta cavou um pequeno buraco na terra e desapareceu por lá... O mosquito voou para longe para amolar outra pessoa e também par não servir de manjar para o sapo e para a rã, que por sua vez, voltaram aos seus lugares dentre os aguapés da beira do córrego.

Parecia que todos os bichos tinham, rapidamente, arranjado o que fazer. Mas a borboleta ficou, pousada suavemente numa flor colorida do canteiro das zínias.

- Veja a borboleta, ela é a própria visão do universo! – a mãe estendeu sua mão em direção a borboleta que concordou em nela pousar, batendo levemente as asas transparentes.

- A borboleta é o símbolo da metamorfose e também da efemeridade.

O Herói Azul pareceu não entender essas duas palavras. A mãe explicou:

- Metamorfose é a constante mutação de tudo aquilo que existe no universo. Efemeridade é o tempo que sempre passa, e passa veloz, sem que mesmo o percebamos! Tudo no universo está sempre em constante mudança, sempre se metamorfoseando, uma coisa se transformando na outra e essas mutação - cada tipo de mutação – tem seu jeito e seu tempo próprios de acontecer... Porém diante da eterna eternidade - que é o Tao, a Suprema Consciência – tudo, tudo, mesmo aquilo que dure o tempo de vida de um universo, tudo é apenas efêmero, passageiro, transitório.


Lao Tse nos diz:

O retorno é o movimento do Caminho.
A suavidade é a movimentação do Caminho.
Os seres nascem da existência
E a existência nasce da não-existência. (1)

- Ainda você não me falou sobre como tudo isso se relaciona com o Tempo e o Espaço. – o Herói Azul ansiava por mais explicações.

- O Tempo e o Espaço – assim como os conhecemos – teriam nascido da explosão inicial que trouxe vida externa a este nosso universo em que vivemos. Foi o Big Bang, há cerca de 13 / 14 bilhões de anos atrás - 13.7 bilhões, para sermos mais exatos. Do nada, explodiu o todo formando assim, a expressão concreta do tudo. Shakespeare nos diz que mais nos parece um universo dentro de uma casca de noz...

Da explosão surgiram o Tempo e o Espaço, um formando o outro assim como uma fiandeira-tecelã fia seu fio e o trabalha em trama e urdimento, espaço e tempo, trama e urdimento do Tao do universo.

No entanto, o Espaço é da classe do duradouro, do finito – ou seja, daquilo que permanece, sim, mas por algum tempo somente – porque todo o tempo está em transformação, em mutação.

O Tempo, ah, o Tempo, esse sim, dura, dura, dura e é constante e vai tecendo a si mesmo na medida que o Espaço vai permitindo abrir mais espaço para o tempo acontecer!

Então, a explosão inicial do universo acabou permitindo que as partículas jorradas formando o Espaço primordial fossem dando lugar ao Tempo de começar a acontecer... e o Tempo vai avançando na mesma medida em que o Espaço vai se fazendo... até que nenhum mais Espaço possa acontecer – por já ter se realizado por inteiro, depois de todas as estrelas do nosso universo terem nascido, vivido e morrido e se tornado Buracos Negros... E ainda assim o Tempo permanecer – para contar toda a história daquele universo....

Os resíduos dessa história, desse Tempo que guardou em si tudo o que restou do Espaço anterior, formam a possibilidade de uma nova explosão, de um novo Big Bang, a formação, o nascimento de um novo universo.

Assim caminha o Tao, criando e re-criando os universo – o multiverso, na realidade.

O tempo é infinito porque é herdado de universo para universo, desde o Tao, que está para além do tempo.

O espaço é finito porque vai se metamorfoseando sempre, se desenvolvendo, nascendo, vivendo e morrendo: num momento cabe dentro de uma semente, em outro momento explode revelando o tempo e espaço; andando, andando, andando, até que toda a matéria ao qual a Luz da Vida aderiu, termine.

No entanto, a Luz da Vida permanece e através do tempo, cria um novo espaço. Esse espaço, no entanto, também pertence ao tempo e portanto é também infinito, na medida que, como uma semente, aguarda o Sopro Primordial do Tao fazendo o Criador voltar a realizar a Criação.

Lao Tsé, o mestre do Tao, nos diz em seu Capítulo 4 do Tao Te Ching:

O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota
É imensuravelmente profundo e amplo,
como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Límpido como a existência eterna
não sei de quem sou filho
Venho de antes do Rei Celeste

O Caminho é o Tao. Sobre o Tao não se fala, não se tem palavras para se referir ao Tao porque o Tao está além de todas as palavras, além do além. Tudo aquilo ao qual pode ser referido faz parte do Mundo da Manifestação, o Tai Chi. O Mundo da Manifestação é criado, é um espelho que espelha e re-cria tudo aquilo que repousa no inefável, no sutil, que ainda poderemos nos referir como o Mundo da Não-Manifestação, o Wu Chi. No entanto, até o Mundo da Não-Manifestação - que é da classe do Absoluto - é criado a partir do Tao. Sendo assim, o Tao ainda está além, para muito mais além do Mundo da Não-Manifestação.

O Tao pode ser alcançado através do ato do Caminhante Caminhar seu Caminho rumo ao seu Tao. Esse Caminho pode ser chamado de Vazio, de entrar no Vazio. É somente através do Vazio Absoluto que o Caminhante consegue Caminhar seu Caminho e alcançar seu Tao. Esse Vazio é anterior ao Tudo - que é o Mundo da Não-Manifestação simbolizado pela gravidez sutil de tudo aquilo que faz nascer e criar o Mundo da Não-Manifestação, que é o Todo. Assim, o Vazio é anterior ao Tudo e ao Todo, ao Mundo da Não-Manifestação e ao Mundo da Manifestação. Por isso, Lao Tsé, no Capítulo 4 - que é um dos Capítulos que mais intimamente nos falam do Tao -, nos diz que O Caminho (O Tao) é o Vazio.

O uso desse Vazio jamais o esgota porque o Tao é inesgotável ou mesmo além da possibilidade de ser esgotável ou inesgotável - desde que é o Tao anterior à própria Criação do Nada, do Tudo e do Todo, anterior até ao próprio Vazio, que é o que mais próximo se lhe assemelha.

Os "dez mil seres" simbolizam a Criação e a raiz dessa Criação é oriunda do Vazio - que "é imensuravelmente profundo e amplo". Novamente, nesses versos, nos é dito que o Vazio é imensurável, ratificando o fato de seu uso jamais o esgotar.

Nesse mesmo Poema, Lao Tse nos descreve de forma simples porém maravilhosa, Te, A Virtude. A Virtude é tudo aquilo que precisamos vivenciar - e da forma como melhor vivenciar - para trilharmos nosso Caminho. A Virtude representa a raiz do Mundo da Manifestação e o Vazio representa a raiz do Mundo da Não-Manifestação e ambos apontam para a ponte que leva ao Tao, O Caminho.

Dessa forma, Lao Tsé nos diz para acalmarmos nossa mente e buscarmos a expansão da consciência a fim de a tornamos iluminada e infinita - esse é o Caminho da Iluminação.

Então, Lao Tsé nos revela como nos harmonizarmos com a Luz do Tao e entrarmos no Vazio: a consciência de que somos nós mesmos o Tao e assim sendo, é preciso que ao Tao retornemos, nos fusionemos. Esta é a Alquimia do Caldeirão, ou seja, o Caminhante torna-se Homem Sagrado a partir do Tao da Iluminação e trabalha seu corpo físico já com a plenitude e infinitude de sua consciência iluminada e transforma, transmuta, esse corpo físico em Corpo de Luz, alcançando então, o Tao da Imortalidade ou Liberação - vida e consciência iluminadas e infinitas.

Por ter se tornado Homem Sagrado, Lao Tsé pôde nos contar sobre o Mistério dos Mistérios, ou seja, que o Tao é anterior à própria Criação. O Tao é impessoal e Absoluto. Dessa forma, o Homem Sagrado, ao se fusionar ao Tao, descobre sua impessoalidade e infinitude.

Fundamentalmente, mais que se descobrir anterior à própria Criação, o Homem Sagrado descobre que ele mesmo, fusionado ao Tao, ao Caminho, é anterior ao próprio suposto Criador, que Lao Tsé neste Capítulo, nomeia de Rei Celeste.

"Rei" é a Consciência iluminada e celestial, a Suprema Consciência, Deus-Onipotente, O Criador que com sua Consciência cria a Criação, espelho de sua Consciência Suprema. Sendo assim, o Homem Sagrado é aquele que alcança, se fusiona com a Consciência Suprema, com o Rei Celeste, e finalmente diante do Vazio do Tao, compreende o Tao além de qualquer compreensão, além de qualquer palavra, além do além. Porque sobre o Tao não se fala, apenas nos deixamos preencher pelo Tao.

Dessa maneira, o Homem Sagrado, dentro da infinitude e impessoalidade do Tao, compreende que "Não sei de quem sou filho, Venho de antes do Rei Celeste". Essa é a Iluminação. Esse é o Caminho. E "O Caminho é o Vazio".

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O Tao Te Ching, o Tratado do Caminho e da Virtude, é uma obra extremamente concisa e que, no entanto, "é imensuravelmente profunda e ampla, como a raiz dos dez mil seres". A meu ver, o Capítulo 4 é um dos que mais expressa O Tao e O Te em sua concisão e em sua amplitude. E seus primeiro e último versos expressam a estrutura fundamental da apreensão do Tao diante de todas as outras apreensões espirituais e religiosas que conheço:

O Caminho é o Vazio

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Venho de antes do Rei Celeste

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Sapos, rãs, lagartas, formigas, borboletas, passarinhos, cachorros, gatos, tangerineiras, laranjeiras, jabuticabeiras, mangueiras, pitangueiras, pessegueiros, mulungús, flamboyants, ipês, cenouras, alfaces, almeirões, galinhas, patos... todo o Sítio ouvia, em silêncio, o que a mãe do Herói Azul ia dizendo, assim, tão simplesmente, com quem tece a trama e o urdimento de uma colcha no tear...

O Herói Azul lembrou-se de sua aula sobre a formação das estrelas, seu tempo de vida e sua morte, quase sempre explodindo, lançando no espaço mais matéria densa para formar novas estrelas, novos planetas, novas civilizações, árvores , frutos, flores, legumes, hortaliças, pedras, águas, animais, homens, mentes e corações... e perguntou:

- Então somos todos pertencentes a este mesmo início do universo - somos assim já tão antigos e metamorfoseados? E em cada ciclo dessas metamorfoses, vivemos uma efemeridade?

- É isso mesmo, somos antigos e metamorfoseados – somos todos, na natureza, compostos de poeira de estrelas! Certamente possuímos todos a história do universo contada dentro de nós! Toda a natureza é ao mesmo tempo protagonista e espectadora do grande drama do universo como se fosse uma peça de teatro que está sempre acontecendo ao vivo e a cores com seu cenário sempre se transformando e seu texto sempre se atualizando.

- Essa é a imortalidade! – os olhos do Herói Azul brilhavam de emoção.

- Sim, isso é a imortalidade – esse é o Tempo. Porém, o Espaço, esse é mortal – ele se metamorfoseia todo o tempo e vive – em cada momento de suas metamorfoses um breve momento do Tempo, uma efemeridade: nasce, vive, morre, nasce, vive, morre, nasce, vive... para morrer e nascer novamente num Tempo sem fim – o Tao.

Tempo e espaço, sendo Filhos do Tao, O Caminho, se perpetuam .... É o Tudo da Criação, que num momento parecer ser o Todo e em outro momento parece ser o Nada.

Poderíamos, também, compreender que Tempo, Sublime Yang, Espírito, seriam outras formas de expressar Purusa, o Rei Celeste, a consciência objetivada dentro do Mundo da Manifestação, a geração e doação da Luz e da Vida.

Da mesma forma, poderíamos, também, compreender que Espaço, Sublime Yin, Alma, seriam outras formas de expressar Prakrti, a Mãe Misteriosa, o princípio operativo da Criação através de sua energia cósmica dentro do Mundo da Manifestação, a criação da Vida através da Não-Luz.

Nosso espírito, então, é parte desse todo de universos, desse Todo do nosso universo – nosso espírito é tão antigo quanto nosso universo porque certamente nasceu junto com ele, semente que éramos nós e o resto do universo. E hoje, depois de cerca de quatorze bilhões de anos de vida de nosso universo – somos ainda tão jovens, ainda entrando na adolescência do universo.... – somos as mesmas sementes oriundas da explosão inicial da semente primordial que deu luz ao nosso universo.

Assim, nosso espírito vem vindo de estrela em estrela, acoplando sua luz e não-luz à matéria – luz é matéria – e fusionando nesse espírito uma mente que vai se ampliando e acumulando a memória do próprio universo – a alma. Nosso espírito é a Luz que dá Vida à matéria, mente, à encarnação, ao nosso corpo físico. A alma é aquela que modela essa vida e a torna vivente.

Nosso espírito é anterior ainda a esse nosso universo e a todos os possíveis universos.... porque é parte unitária da Unidade Absoluta do Tao da Criação. Nossa alma é anterior ainda a esse nosso universo e a todos os possíveis universos... porque é a parte coletiva fusionada à Unidade Absoluta do Tao da Criação.

Nosso espírito possui – anteriormente e posteriormente – a eternidade do tempo e espaço do universo em que vivemos mas nosso corpo físico possui a duração do tempo e do espaço do planeta aonde encarnamos, onde a matéria acolhe nosso espírito que traduz a Vida essencial do Tao – e nossa alma que traduz o Sopro Primordial da Criação, o Pranah, Chi, o fole universal, a força vital.... mesmo que o corpo físico seja produto da metamorfose estelar desde o início deste universo.... que por sua vez já é a metamorfose de um universo anterior... numa Eterna Mutação.

A alma vai trazendo consigo o fusionamento entre o espírito e a matéria, a cada tempo e espaço em que ambos se apresentam na Criação, seja na Luz ou seja na Não-Luz. Dessa forma, a alma é a própria memória que a mente carrega consigo desde antes desse universo em seu tempo de Não-Luz, durante a vida desse universo em seu tempo de Luz, e certamente depois desse universo, novamente em seu tempo de Não-Luz.

No entanto, diferente do espírito que possui a infinitização do tempo imajada na linha contínua do Supremo Yang, a alma é certamente também infinita porém apresenta-se em sua finitude de espaço imajada na linha vazada do Supremo Yin. Ou seja, a cada materialização de Luz ou Não-Luz, a alma assume o tempo e o espaço dessa materialização. Dessa forma, podemos dizer que a alma é a própria biblioteca do universo, realizando a mente em seu Ciclo de Brahma, do sutil ao denso, do denso ao sutil – ao longo de sua incontável e infinita possibilidade de manifestação dentro do Eterno Retorno do movimento do Caminho.

Tao é o Caminho. O Caminho se faz ao Caminhar... assim é a vida do universo, o Tempo e o Espaço.

Também sobre isso, Lao Tsé diz:

“O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros

Assim,
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás
E o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo. (2)


O céu é o Tempo, a terra é o Espaço. O Tempo é eterno e o Espaço todo o tempo vai se metamorfoseando porque o Tao se orienta por sua própria natureza, realizando assim o Tempo e o Espaço e toda a natureza, não criando nada para si mesmo, nada possuindo.

Tudo o que existe na natureza é simplesmente a própria natureza, sua própria forma de ser.

O Homem Sagrado é aquele que está trilhando o Caminho da Bem-Aventurança em busca de sua Liberação e em direção à fusão com a Consciência Cósmica, com o Tao.

O corpo que ele deixa para trás, é o Espaço que vai se metamorfoseando, se transformando. Esse espaço é a matéria, a Luz, o corpo e a não-matéria, a Não-Luz, o não-corpo.

O Corpo (com letra maiúscula) que avança é o Tempo que traz consigo o Espírito, aquilo que em nós é imortal e que procura retornar à sua fonte original, ao Tao.

Assim, além de todo o Espaço, além do corpo, o Tempo, o Espírito, permanece, - o Corpo permanece.

Através do Tempo que vai fazendo o Espaço vivenciar seu corpo de Luz e de Não-Luz

através do não-corpo , o Tempo, o Espírito, não pára, é constante.

Conclui o Corpo, ou seja, conclui o Espírito através do Tempo e alcança a fusão com a Consciência Cósmica - alcança a Imortalidade.

Ao final de um ciclo de vida de um universo, Tempo e Espaço plenamente fusionados dentro da Imortalidade, junto ao Tao, como uma semente, guardam em si mesmo, em seu grandioso útero, toda a vida que explode maravilhosamente para dar início a um novo universo, lançando no novo Tempo e Espaço as novas flores que darão vida aos novos frutos: estrelas, planetas, natureza, pedras, águas, árvores, flores, frutos, animais, homens, mentes e corações.....


O Herói Azul

© Janine Milward

Capítulo 6
O Tempo e o Espaço














Prólogo de O Herói Azul


O Herói Azul


© 2008

Janine Milward

Prólogo

Dois Dedos de Prosa sobre o Sítio das Estrelas


Este é o Sítio das Estrelas, Estrada do Belém - situado em uma pequena cidade do interior das Minas Geraes docemente chamada de Mar de Hespanha.

A Estrada do Belém é toda margeada por bambus fazendo com que a gente vá se sentindo com vontade de se curvar para dentro, buscando a introspecção, a paz interior.

Aqui vivem o Herói Azul e sua mãe. Ele é um menino de 12 anos, começando a vivenciar os mistérios da vida. Sua mãe já deixou para trás seus cinqüenta anos, porém sempre ainda pronta a vivenciar mais e mais mistérios da vida.

O Herói Azul nasceu no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa cheia de encantos mil. Mas sua mãe e ele ansiavam por deixar para trás a cidade grande... E porque procuravam por estrelas mais brilhantes e céu mais transparente, eles ansiaram por encontrar um pequeno sitio, uma fazendola, um lugar aconchegante e bucólico, na roça... Um Sítio onde pudessem viver a felicidade de comungar com a natureza diariamente, de entrelaçarem-se mais intimamente com a mãe terra e deixarem-se envolver mais intimamente com o pai céu....

Finalmente encontraram um lugar que lhes agradou: um pequeno pedaço de terra de apenas um alqueire, porém com minas de água limpinha e gostosa, um regato cantarolante formando pequenos lagos, árvores floríferas e frutíferas, uma casinha muito antiga, de quase cem anos, porém muito gostosa e aconchegante com um belo fogão a lenha na pequena cozinha..., antiga casa de colonos, certamente colonos da fazenda de casa grande ao lado!

O Sítio estava muito mal cuidado, quando chegaram - abandonado mesmo. Primeiramente, foi chamado um pedreiro para dar uns retoques aqui e ali, jogar umas paredes abaixo para aumentar a sala da casa-sede e acrescentar com tijolos outros lugares necessitados! O caseiro e sua mãe pegaram em tinta, cal e pincéis e trinchas para pintar todas as construções do Sítio: o galpão, a casa de caseiro, o galinheiro, a casa sede, a antiga usina de luz, o chiqueiro.... Logo, logo, o antigo chiqueiro foi totalmente reformado transformando-se numa encantadora casa de hóspedes! Também uma garagem foi construída – garagem para receber os carros de todos os amigos que viriam das diferentes cidades das redondezas para visitarem o Herói Azul e sua mãe em sua nova moradia: O Sítio das Estrelas!

Construiu-se mais um lago com ponte e ilha com caramanchão coberto por buganvílias exuberantes.... A antiga usina de luz transformou-se no Moinho de Meditação ou Oratório...

Mais tarde, a casinha do caseiro foi reformada para se tornar uma outra casa de hóspedes, grande e confortável, aquecida por seu fogão a lenha! Também, num cantinho simpático do imenso gramado, foi construído um ofurô de águas frias e límpidas, vindas do interior da terra, bendita água.

Pouco a pouco, o Sítio das Estrelas foi e continua sendo transformado, tornando realidade objetiva tudo aquilo que antes apenas era uma realidade subjetiva...

“O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência”

Lao Tsé, Tao Te Ching, Capítulo 40

Foi um período de muito trabalho os primeiros meses, os primeiros anos de vida no Sítio, na nova cidade, novos amigos, nova escola, novos modos e costumes de vida, nova forma de falar a língua, novo sotaque, nova visão de vida.... Porém tudo foi sempre muito prazeroso, e vem sendo vivenciado muito prazerosamente pelo Herói Azul e sua mãe – porque ambos amam verdadeiramente viver junto à natureza, junto à simplicidade da roça, junto ao provincianismo da cidade pequena do interior, junto ao verde das plantas, das árvores, da mata, junto ao cantar dos pássaros... e sob a luz tranqüila das estrelas!

E desde sempre o Sítio das Estrelas é um Ashram.

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O Herói Azul escreveu uma longa carta aos seus amigos que ficaram na cidade grande, contando sobre sua vida no Sítio das Estrelas e chamando-os para aqui virem comungar com ele esse cantinho na roça, bucólico e silencioso, parada de um caminho a Caminho do Céu:

Meus queridos amigos,

Gostaria de compartilhar com vocês minhas impressões sobre meu novo lugar de moradia, minha nova vida e, ao mesmo tempo, de tal forma encantar a vocês todos com meu relato que certamente acredito que vocês ficarão com água na boca e virão correndo me visitar...!

A meu ver, viver na natureza do Sítio das Estrelas é ter como telhado o céu azul; como paredes, os morros e as matas, os riachos... e como chão, a grama, a areia, a terra...

Dentro da natureza, o olhar e a escuta, todos o olfato, e todos os instintos, se tornam mais sensíveis, mais acurados, mais verdadeiros.

A gente olha e vê os diferentes tons de verde encontrados nas folhas das árvores diversas, as cores multicolores das flores, o desenho, o torneado das plantas... A gente ouve e escuta o piar diferenciado de cada pássaro que corta os céus, uma voz aqui e ali, um latido, um miado... A gente sente de longe o cheiro da fumaça do fogão a lenha do vizinho, o cheiro da panela fazendo comida, do forno assando um bôlo e um pão; a roça de milho colhida, o gramado aparado, a bosta do boi que pasta tranqüilo...

A gente olha a água do córrego correr, correr, sempre correr, sempre uma água diferente e no entanto, sempre a mesma água, ininterrupta, sedosa, transparente... correndo, correndo, formando poças, lagos, cachoeirinhas, ondas, envolvendo os peixes e os sapinhos-crianças... e sumindo, serpenteando, por detrás do mato alto, para além da cêrca do Sítio, invadindo o sítio do vizinho, desaguando no grande rio logo mais, ali perto, não muito longe...

A gente acorda pela manhã com a neblina cobrindo todo o vale da Estrada do Belém e sente se o sol vai descortinar as nuvens ou se vai chover... Na primavera, a íris, uma flor bela como uma orquídea de cor azul anil, sempre acorda aberta em dia que vai trazer chuva logo mais à tarde... Também as formigas e até os mosquitos ficam bem mais impertinentes quando a chuva não está longe.

No outono, começa o tempo da sêca trazendo céu azul e toda a natureza verde colorida com o amarelo do sol. Assim continua também inverno adentro. Apenas que, quando ainda é outono, o céu da noite sempre traz mais estrelas do que em qualquer outra época do ano: é porque as chuvas mal foram embora, deixando o ar limpo e sêco. Quando entra o inverno, infelizmente, começam as queimadas malditas, que os fazendeiros pensam que é menos trabalho para capinar a terra mas que cansa a terra e traz uma cortina espêssa de fumaça ao céu, impedindo a beleza da transparência da natureza aparecer em todo seu esplendor, impedindo que as estrelas brilhem tão maravilhosas...

O melhor das frutas do outono chega em abril: laranjas-bahia, laranjas-lima, limas, tangerinas, tangerinas, tangerinas..... As tangerinas também são usadas para geleias que deliciam as torradas...

Os cajás-mangas anunciam seu pleno amadurecimento na entrada do inverno, depois de quase dez meses de vagaroso crescimento. São servidos em sucos e sorvetes e seu perfume dura por horas nos copos, jarras e em nossas mãos, maravilhoso perfume!

Os buganvílias do Sítio das Estrelas acompanham o outono e o inverno com sua floração exuberante, vistosa. As flores das mangueiras surgem com um inebriante perfume...

A primavera no Sítio das Estrelas ainda é tempo de seca, ainda é tempo de esperanças e muita, muita reza para o retorno das águas, do tempo das águas, das chuvas benditas que finalmente chegam ainda bem antes do verão. O verão é quente e chove, chove, chove, chove.... Toda a natureza, que no inverno amarelou os pastos e a relva e as folhas das árvores, se recompõe e de um momento para outro, sem que quase a gente perceba de tanta rapidez, colore tudo novamente de verde autêntico, forte, cheio de vida!

As flores das jabuticabeiras inundam a manhã com seu enxame de abelhas bebendo de seu néctar e revigorando com seu perfume suave.... um mês mais tarde, surgem as pretas jabuticabas coladas ao caule e aos galhos das árvores, as vezes até coladas às raízes!

Felicidade é comer jabuticaba no pé.... Colhemos muitas jabuticabas, baldes e mais baldes que são lançadas ao tacho de cobre sobre o fogão a lenha e potes e mais potes de geleia serão levados aos armários e servidos nas refeições matinais, nos lanches, nas ceias noturnas... Também as pitangueiras se deixam invadir pelas florezinhas brancas e delicadas que se transformam em frutinhos avermelhados e saborosos.

Enquanto isso, as manguinhas vão crescendo, vagarosamente, ganhando caroço, amadurecendo durante toda a primavera.... No Sítio das Estrelas, as mangas chegam por volta do tempo do Natal e do Ano Novo, às vezes juntamente com as eugênias, formando ambas um dueto dos mais saborosos, imbatível em sorvetes, saladas de frutas, saladas salgadas, chutneys, cruas e nuas, sempre.

As goiabas gostam de chegar por volta do carnaval. Aqui na provinciana cidade aonde moro, quando é tempo de goiaba, a gente passa pelas ruas da cidade e vai sentindo o cheirinho da goiabada nos tachos vindo das cozinhas das casas simples.... Nada melhor do que o queijo branco de minas com goiabada feita em casa, não é mesmo?

A horta do outono e do inverno é sempre muito farta, muito farta, quase que a gente nem precisa ir na rua para comprar qualquer coisa, somente o sal, o óleo, o açúcar.... porque todo o resto a horta nos dá – se plantarmos, naturalmente. No tempo da sêca, as raízes e as verduras que nascem perto do solo dão seu show.

Quando entram as águas, aí então a horta termina, vai embora, dando lugar a alguns pés de jiló, de pimentão, de quiabo, de berinjela, de feijão de corda. No tempo das águas, apenas plantamos legumes que dão em pé.... porque legumes e verduras do solo não suportam tanta água!

No Sítio das Estrelas, sempre as flores dos Cosmos, com seu tom alaranjado forte, invadem todas as terras, todos os lugares... Durante a sêca, seus pés são menores; mais tímidos mesmo; durante as águas, chegam a quase dois metros, felizes e contentes!

Fico contente em ver que as poucas sementes de Cosmos que trouxemos para plantar aqui no Sítio das Estrelas quando chegamos, correram pela Estrada do Belém e hoje já posso ver algumas moitas dos felizes Cosmos em algumas casas da cidade...

Os arbustos da Dama-da-Noite, volta e meia, cerca de quatro a cinco vezes por ano, adoram esquentar nossas noites com seu perfume intensíssimo, com suas flores abertas somente noturnamente e dormindo durante o dia...
Os papiros, pequeno, médios e grandes, dos lagos, nos lembram de nosso amor pelas letras, pelo papel, pelas letras correndo o papel adentro e afóra, nos trazendo o conhecimento...

As mudinhas das árvores a-virem-a-ser precisam ser aguadas durante o outono e o inverno e começo da primavera e transplantadas para o solo dos lugares do reflorestamento durante o começo do tempo das águas. São filhotas das árvores-mães aqui do Sítio mesmo, dos flamboyants, dos mulungús, dos ipês amarelos e rosas, das espatódias, das paineiras, das palmeiras, das mangueiras, das pitangueiras, das goiabeiras, das cabeludinhas, das ameixeiras, das eugênias.... e tantas outras árvores frutíferas e floríferas que nem posso me lembrar....

As estrelas vão acompanhando todos esses ciclos da natureza, sempre andando pelos céus, do leste para o oeste, dando sua reviravolta por sobre nossas cabeças ao longo do ano, surgindo hora mais cedo, hora mais tarde, hora quando estamos dormindo...

Os animais do Sítio também vão vivendo suas vidas próprias, os peixes, os patos e as galinhas, o galo que acorda tarde.....! .... os cachorros ansiosos para protegerem seu pedaço de chão, o Sítio.... os gatos que dormem de noite, de manhã e de tarde.... os pássaros soltos na natureza, as vacas do pasto das fazendas vizinhas, os cavalos que puxam charretes e carroças ou que servem de montaria para alguns cavaleiros corajosos da roça.... Com sorte, a gente vê algum lobo, coelhos e macaquinhos, tatus, lontras... ouve as seriemas com sua gritaria imensa nos pastos.... evita encontrar as cobras.... As aranhas das teias são benvindas enquanto as que andam peludas pelo chão também são evitadas... As formigas são sempre trabalhadeiras... porém são também um certo estôrvo, principalmente quando se deliciam com as folhinhas tenras e as belas rosas de nossos canteiros de roseiras... As moscas são evitadas se levando todo o lixo para a coleta da cidade e os mosquitos não gostam que usemos óleo de amêndoas em nossa pele e nos deixam em paz...

Ah! Como é bom irmos até o paiol, bem cedinho de manhã, enchermos a tigela de milho e irmos em direção ao galinheiro aonde as galinhas, galo e patos já estão todos de pé contra a cêrca do imenso quintal deles, aguardando por lançarmos sua refeição matinal por sobre a cerca! Depois, durante o dia, os restos e cascas de legumes e verduras e outras tantas coisas também são jogados no galinheiro, para felicidade das penosas que nos retribuem com seus ovinhos caipiras e avermelhados, verdadeiros ovos.

Depois do galinheiro, vamos até os lagos para jogar a ração dos peixes. As bolinhas de ração caem sobre a água e flutuam por alguns instantes, já sendo carregadas pela correnteza, quando a gente pode ver um peixe surgindo, abocanhando a ração e novamente desaparecendo nas águas mais marronzadas esverdeadas dos lagos. Houve um tempo que a lontra veio e comeu todas as tilápias, todas. As tilápias vermelhas eram tão preguiçosas, elas ficavam horas e horas à flor da água, apenas boiando, boiando, tomando sol.... Hoje estão apenas as carpas capim que comem todo o lôdo que fica na água, deixando-a brilhosa.

Todos os bichos do Sítio das Estrelas morrem de velhice, é preciso enfatizar este fato. Aqui não são comidos animais de qualquer espécie, graças aos céus, apenas vegetais. O vegetarianismo é uma das melhores formas de vivenciarmos a natureza com dignidade, com verdade, com autenticidade. Não precisamos da proteína da carne, existem várias outras possibilidades dentro dos vegetais para nos provermos da proteína que nosso corpo necessita. Não é preciso que tiremos a vida de qualquer animal que seja para satisfazermos nossa alimentação diária.

Além do que desnecessário é dizer que, em função da criação de gado para corte, nossas matas protetoras de nossas reservas naturais de água, estão sendo devastadas e degradadas de maneira cruel e impensada. Penso que num futuro breve, a continuar esta triste situação, as pessoas estarão ainda reunidas em torno a um churrasco, bebendo sua cerveja porém não mais encontrando água em suas torneiras de casa e nos riachos das cidades e dos campos...

(Aliás, é realmente terrível se comentar sobre o fato de que um grupo de conhecidos ambientalistas, ao finalizarem mais um ano de curso sobre ambientalismo nas cidades que percorrem, comemoraram com um churrasco.... céus!)
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A água das minas no Sítio das Estrelas é abundante e mais do que suficiente para nos banharmos, lavarmos toda a louça da cozinha e nossas roupas e nossas casas, para molharmos a horta, para prepararmos toda nossa alimentação.... Também existe o poço semi-artesiano que quase nunca é usado, apenas para encher o ofurô com sua água ferruginosa e medicinal.
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Eu poderia continuar a falar sobre a vivência na natureza no Sítio das Estrelas por mais tantas e tantas páginas!....

Porém, prefiro apenas dizer sobre o quanto eu amo viver sob o telhado do céu azul e das estrelas, dentro das paredes dos morros e pastos verdes, sobre o chão do gramado e da terra bendita.... Penso o quanto sou feliz em vivenciar o silêncio da natureza, em viver o aqui-e-agora com a plenitude da consciência desse mesmo aqui e agora, numa meditação contínua.... Penso em quanto sou feliz em poder presenciar o desabrochar das flores das mangueiras, das jabuticabeiras, sentir seu perfume intenso todas as manhãs, antes do sol quente, antes das abelhas chegarem.... Penso em quanto sou feliz em correr até o pomar depois das refeições para ter uma fruta como sobremesa... Penso que a felicidade é simples como comer jabuticaba no pé.... Penso em quanto sou feliz em ver que, ao final do temporal ou mesmo da chuvinha fina, abriu-se um buraco nas nuvens fazendo surgir um raio de sol que fez acontecer no céu um arco-íris. Fico pensando: devo correr até o final ou o começo do arco-íris atrás daqueles morros? Não, não preciso fazer isso, pois sinto que o Sítio das Estrelas é o meu pote de ouro!


Com um abraço estrelado,
Herói Azul



O Herói Azul
© 2008 Janine Milward

Sumário dos Capítulos de O Herói Azul

O Herói Azul

Sumário

Prólogo
Dois Dedos de Prosa sobre o Sítio das Estrelas
Apresentação do Herói Azul e de sua mãe
bem como do Sítio das Estrelas,
onde moram.


Capítulo 1
A Iniciação Espiritual na Meditação
O Retiro Espiritual – A Meditação – O Mantra Universal – A dança do Kiirtan -
Kundalini – Os Cackras – O Acarya – Os passos da Meditação – O Guru
O Ista Mantra, O Mantra pessoal – As qualidades do Mantra pessoal
O Ajina Cakra, o Cakra do Conhecimento - O Caminho da Liberação
Karma e Samskara – Sadhana e Sadhaka
A Primeira Lição de Meditação e o Primeiro Cakra - Os Seis Cakras e as Seis Lições de Meditação - O Sétimo Cakra e a Sétima Lição de Meditação
Sânscrito - Jinana, Karma e Bhakti, Conhecimento, Ação e Devoção.


Capítulo 2
Sementes que Nascem de Novo
O Sítio das Estrelas e o Reflorestamento
Bom Manejo das Pastagens: gado não para corte, apenas para laticínios
Os Cuidados com a Riqueza do Futuro: a Água
Vegetarianismo: finalização de abate de animais para alimentação humana
Breve Aula sobre Sementes que Nascem de Novo
“Sementes Queimadas”
O Encontro com o Guia Espiritual Interior ou Amigo Invisível
Conhecimento, Ação e Devoção - A Meta da Vida: a Fusão com a Suprema Consciência –
O Retorno à Fonte Original Liila, O Jogo do Universo
“Sementes Queimadas”: Dagdhabiija


Capítulo 3
Os Segredos do Céu e da Terra
O balão rosa voando na roça
Recorrendo ao “Fio da Meada” - Uma estória antiga: O Re-Nascimento do Universo
O Tai Chi: o eterno enlace entre o Yang e o Yin
Ch´ien, O Céu, O Criativo, O Pai.... K´un, A Terra, O Receptivo, A Mãe
O Mundo da Não-Manifestação faz nascer o Mundo da Manifestação
Do barro à formação das estrelas, dos homens e de seus Corações
O Céu, A Terra e O Homem: O Princípio Primordial, O Tesouro do Espírito e O Mestre
A representação do Céu e da Terra: linha contínua e linha vazada
Formação dos Trigramas do Céu e da Terra: nasce o I Ching, O Tratado das Mutações.


Capítulo 4
“O Retorno é o Movimento do Caminho”
O Rio Amarelo,
O Oito do Sol, O Revirão do Universo, O Eterno Retorno, O Analema,O Oito Interior e o Oito Exterior, O Oito do Revirão... - O percurso aparente do Sol durante o ano
A figura do número 8: sem começo nem fim
A interação eterna entre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação
Breve história do nosso sol, de nossa galáxia, de nosso universo:
O Revirão do Universo
Ouro e Prata, Sol e Lua, Pai e Mãe, Espírito e Alma:
Arquétipos fundamentais do Karma e do Dharma de nosso Planeta Terra, de Trabalho e de Iluminação - Yang e Yin: enlace eterno através da Mandala do Tai Chi, o Mundo da Manifestação
O Caminho do Céu e da Terra: O Rio Amarelo - Céu e Terra dão Luz e Não-Luz ao Sol , O Fogo, O Espírito e à Lua, A Água , A Alma
Céu, Terra, Sol, Lua formam o Mapa do Mundo da Não-Manifestação
Linhas contínuas e linhas vazadas: Trigramas do Céu, da Terra, do Sol e da Lua
Linha do Tesouro do Espírito, Linha do Mestre, Linha do Princípio Primordial
Céu e Terra fazem nascer O Trovão, O Vento, A Montanha e o Lago:
está formado o Mapa do Mundo da Manifestação
Céu e Terra se retiram, humildemente: “O Retorno é o movimento do Caminho”


Capítulo 5
Viajantes das Estrelas
Francisco e o Herói Azul visitam viajam em seus tapetes voadores,
visitando e conversando com várias estrelas e constelações:
Sirius, Castor e Polux, Câncer, Régulus, Spica, Balança,
Escorpião e Antares, Sagitário, Capricórnio,
Vega, Arcturus, Altair, Aquário, Peixes, Áries,
Plêiades, Touro e Aldebarã.


Capítulo 6
O Tempo e o Espaço
O perfume das flores das jabuticabeiras
Conversa sobre a natureza com dona abelha, dona formiga e outros animais do Sítio
Metamorfose e Efemeridade
Mundo da Não-Manifestação e Mundo da Manifestação
A constante mutação na natureza - O Big Bang – O surgimento do Espaço e do Tempo
O Tao e o Te, o Caminho e a Virtude - O Vazio - Criação e Criador
O Homem Sagrado - o Sopro Primordial da Criação, Pranah, Chi
“O céu é constante, a terra é duradoura”
O céu é o Tempo; a terra é o Espaço - Espírito e Alma
transmutação do corpo físico em Corpo de Luz
A alquimia das estrelas e suas reencarnações - A Imortalidade


Capítulo 7
O Retorno à Fonte Original
“Sementes Queimadas, Dagdhabiija – Karma e Samskara
Fusão com a Consciência Cósmica – O Caminho da Liberação - Alcançar a Imortalidade
O Retorno ao Mundo da Manifestação - A Interiorização Absoluta da Suprema Consciência
O Tantra dando berço ao Tao
A Suprema Consciência Manifesta, Saguna Brahma
A Suprema Consciência Não-Manifesta, Nirguna Brahma
O Jogo Cósmico, Liila - Jinana, Karma e Bhakti, Conhecimento, Ação e Devoção


Capítulo 8
A Meta da Vida Humana é alcançar a Suprema Consciência
A Vida no Sítio das Estrelas
O Homem Sagrado - We Wu Wei, Ação através da Não-Ação
Karma e Samskara, Ação e Reação
Re-encontro com o Guia Espiritual ou Amigo Invisível
“A Liberação das Ataduras da Mente” : texto-transcrição de palestra versando sobre:
Causas da Limitação da Mente - Mente e Consciência – Discernimento, Viveka
Karma como ação original e como ação reativa
Os cinco aspectos fundamentais da Consciência Discriminativa, Viveka
Conhecimento, Ação e Devoção


Capítulo 9
Está Escrito nas Estrelas

A constante mutação do universo
O Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação
O Ciclo de Brahma, Brahmacackra
O Princípio Criador do Universo, Prakrti, a Energia Cósmica
A Suprema Consciência é a Plenitude da Interiorização
A fornalha alquímica do universo: estrelas nascendo, vivendo e morrendo...
Somos poeira de estrelas
Passado, presente, futuro? Tempo e Espaço: a simultaneidade do universo
Liila, O Jogo do Universo – Ilusão ou Energia Cósmica: Maya e Prakrti ?
Assim na Terra como no Céu: A Sincronicidade
A linguagem do universo: O Arquétipo
Pai-Sol, Mãe-Lua: Arquétipos fundamentais - Mitos, Símbolos, Mitologias
Estação Terra: lugar de Trabalho e de Iluminação - De onde viemos, para onde vamos: O Trem da Vida - Os Vagões e a Locomotiva, passado, presente e futuro
A Astrologia e o Trem da Vida: Está Escrito nas Estrelas
Astrologia e Astronomia


Capítulo 10
Estação Terra:
“Parada de Um Caminho a Caminho do Céu”
Terra: Lugar de Trabalho e de Iluminação
Escolha da Alma: O Risco do Bordado -fusão da sincronicidade e dos arquétipos
através do Mapa Astral
O Mapa Astral e o Trem da Vida
O passado e o presente nos Vagões, o presente e o futuro na Locomotiva
Mapa Astral: fotografia do céu no momento do nascimento
O Baile dos Arquétipos, a história da alma - A escolha da alma em relação ao pai e a mãe, ao país, a raça, a questões sociais e econômicas A herança de Karmas e Samskaras
Mapa Astral: Carteira de Identidade Cósmica - Também os mestres têm Mapa Astral?
O mestre e o verdadeiro Mestre: Iluminação e Liberação - O Caminho da Bem-Aventurança é um longo Caminho
Os Arquétipos e a Sincronicidade dentro da simultaneidade do Tempo e do Espaço
Karmas e Samskaras: universo pessoal ou impessoal? - O dejà-vu – A alquimia dos arquétipos
Samsara, A Roda da Vida - O Desejo do Não-Desejo – O Desejo do Amor


Capítulo 11
Eu Sou: Eu Farei... Eu Faço... Eu Fiz...
Felicidade é comer jabuticaba no pé!
Novo encontro com o Amigo Invisível ou Guia Espiritual
Viagem astral através dos céus - Defasagem entre as efemérides astrológicas e as efemérides astronômicas - A Precessão dos Equinócios - O mapa astral natal do Herói Azul
Importância da hora correta - O Mapa Astral e a Mandala do Tai Chi
Ascendente, Descendente, Fundo do Céu e Meio do Céu
Signos e Zodíaco - Movimentos de rotação e translação da Terra
O Grande Ano: A Precessão dos Equinócios - A Estrela Polar
A Lua no mapa astral do Herói Azul - As doze casas astrológicas
O fole universal – Inspirações e Expirações - As três afirmações do movimento do universo: Eu Farei...Eu Faço....Eu Fiz -O Princípio Criador, Praktri, expresso através das Três Forças ou Gunas:
Os Princípios Sutil, Mutativo e Estático - A Consciência Manifesta, Purusa, e o Eu Sou
O Trem da Vida e o mapa astral: revelação de Karma, de Dharma e Missão de Vida

Capítulo 12
“A Força que guia as Estrelas guia Você também”
“Though my soul may set in darkness, it will rise in perfect light;
I have loved the stars too fondly to be fearful of the night.”
Considerações e interpretação do poema “The Old Astronomer to His Pupil”
A passagem do conhecimento e da missão do mestre para o discípulo
A estrela do conhecimento: Vega
O Apex do Sol - Belo triângulo de estrelas: Vega, Deneb e Altair
Imagem em ação: surgem os Três Reis Magos - Sírius, a estrêla-bêrço da Via Láctea
A Estrela de Belém
Os Três Reis Magos, que eram astrônomos e astrólogos, possivelmente muito pesquisaram a orientação do seus caminhos para encontrarem o local do nascimento do Mestre Jesus!
(A informação sobre o possível momento do nascimento de Jesus aparece somente no Capítulo 12)
Algumas co-relações entre o suposto mapa astral e a vida do Mestre Jesus:
O Trabalho na Terra, a Missão de Encarnação, a Iluminação, a Transcendência da Matéria, o Caminho da Liberação, a Imortalidade
O Corpo de Luz e a Ascensão aos céus - A Estrela de Belém é o próprio Mestre Jesus
A Estrela de Belém parece ser um conjunto de situações físicas e metafísicas que contribuíram para trazer imensa grandeza ao nascimento do Avatar tão ansiosamente aguardado: profecias, eclipses, conjunções de Júpiter e Saturno e Vênus - antes do sol nascer e depois do poente -, surgimento de estrela nova na constelação do Capricórnio, um cometa cruzando o céu ....


Capítulo 13
O Caminho da Bem-Aventurança
Iluminação: mente infinita e iluminada. Liberação: vida infinita e iluminada
Trans-substanciação do corpo físico em Corpo de Luz
Algumas conclusões sobre Karma e Samskara, Dharma e Livre-Arbítrio
Vivências Sucessivas - Alma e Espírito, Jiiva e Shiiva,
coletividade da Criação e Unidade com o Criador
Sementes que nascem de novo e Sementes Queimadas - Bodhisattva
Vivência no cotidiano de trabalho e vivência na espiritualidade


Capítulo 14
Da Luz ao Vazio e ao Retorno da Luz: A Meditação
Religiosidade e Espiritualidade: mente essencial e mente em transformação
O Caminho do Céu e da Terra
Os passos na Meditação e as imagens do eclipse total do Sol
Fusão entre Espírito e Alma
A entrada no Vazio - O Retorno da Luz - Samadhi


Epílogo
Dois Dedos de Prosa sobre o Herói Azul

Apêndice
Vivendo no Sítio das Estrelas

Bibliografia e Créditos

Glossário
Terminologia do Tantra
Terminologia do Tao
Terminologia Astronômica e/ou Astrológica
Outras Terminologias

O Herói Azul
© 2008 Janine Milward

Apresentação de O Herói Azul e Índice



O HERÓI AZUL

Janine Milward

Da simplicidade e do lirismo da vida cotidiana na roça
ao mergulho nos mistérios da alma e do espírito...
- assim é a vida do Herói Azul e sua mãe,
no Sítio das Estrelas
parada de um caminho a Caminho do Céu



Editora Estrela do Belém
© 2008



Índice

Sumário - Síntese dos Capítulos

Prólogo - Dois Dedos de Prosa sobre o Sítio das Estrelas

Capítulo 1 - A Iniciação Espiritual na Meditação

Capítulo 2 - Sementes que Nascem de Novo e “Sementes Queimadas”

Capítulo 3 - Os Segredos do Céu e da Terra

Capítulo 4 - “O Retorno é o Movimento do Caminho”

Capítulo 5 - Viajantes das Estrelas

Capítulo 6 - O Tempo e o Espaço

Capítulo 7 - O Retorno à Fonte Original

Capítulo 8 - A Meta da nossa Vida é alcançar a Suprema Consciência

Capítulo 9 - Está Escrito nas Estrelas

Capítulo 10 - Estação Terra: “Parada de Um Caminho a Caminho do Céu”

Capítulo 11 - Eu Sou: Eu Farei... Eu Faço... Eu Fiz...

Capítulo 12 - “A força que guia as estrelas, guia você também”

Capítulo 13 - O Caminho da Bem-Aventurança

Capítulo 14 - Da Luz ao Vazio e ao Retorno da Luz: A Meditação

Epílogo - Dois Dedos de Prosa sobre o Herói Azul

Apêndice - Vivendo no Sítio das Estrelas

Bibliografia e Créditos
Glossário


O Herói Azul
© 2008 Janine Milward